quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dialética da Dúvida

Poderia eu dizer que minhas palavras são ouvidas por ti?
Poderia eu também dizer que não as escutas?
Não, não poderia.
Meu maior dilema é saber o que realmente posso.
Ou será melhor dizer que é saber o que não posso?
Sim, este é meu dilema.
Mas a dúvida é o advento da certeza.
É o alicerce da firmeza.
Mas só com dúvida não se faz a construção.
E se torna inútil qualquer embasamento.
A dúvida é algo abstrato,
Mas neste caso é o concreto,
Pois ela contém o que de mais sólido existe,
E ela dói o coração.
Se a dúvida existe, porque existe?
E aqui estou na mesma triste inquirição.
Sei que não estais aqui por acaso,
Pois és comum nos pensamentos.
Consegues inquietar os sentimentos
És a verdade e não resvalo.
Responde a tudo então.
Por trás de ti está a certeza
Que independe do que eu creia,
Deus existe esta é a razão.
E que a dúvida é o pontapé
Que Ele usa pra se aprofundar na humanidade.
Pois foi com dúvidas que tivemos certezas
E obtivemos respostas.
É assim que se aprende,
Que se responde qualquer questão.

domingo, 23 de setembro de 2007

Vômito

Que a tua cara resignada de tamanhas frustrações
E conquistas mal resolvidas,
E o teu reflexo amargo pela falta de sinestesia,
Juntamente com tua falta de cordialidade,
Com este ar de superioridade a disfarçar tua falta de nobreza,
Se retenha em ti mesmo.
Que teu mau humor que é exalado pelos poros
E exposto por esta cara sempre feia,
Só a ti mesmo prejudique.
Que teu olhar e os teus pensamentos sempre distantes,
Divagantes e abduzidos,
Não se ocupe em me perceber.
Que tua frieza que tudo em volta anestesia
E este excesso de amnésia relacional do dia-a-dia,
Somado a tua lucidez instantânea quando queres se dar bem,
Só em ti mesmo oscile.
Que a tua falta de paciência que grita ao mundo clemência,
Retine a ti que é injusta.
Queres por todos ser compreendido,
Mas não vês o tanto de ofendidos
Contaminados por tua arrogância.
Eu não sou o teu espelho,
Não compartilho e não devolvo as tuas ações,
Sei que isto te incomoda.
Não sorverei o teu veneno,
Não vou gangrenar o meu espírito.
Te vomitarei sempre que for necessário.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Leis de Newton

Que você saia desta inércia.
E que a força resultante do
Nosso amor, não seja má,
Mas entre em equilíbrio com
Velocidades de emoções constantes.
E que a força de reação do meu amor
Esteja no centro de massa
Do mundo do seu coração.
E que os problemas que venham a surgir,
Ainda que estejamos inclinados,
Não se manifestem em atritos.
E que um par de ação e reação
Configure o nosso abraço,
Pois não há nada melhor do que sentir
A sua compressão, me fazendo não sentir a gravidade
E me tornado assim mais leve.
Seu amor me traciona, como uma corda,
Em sua direção.
De você vem todas as leis
Que regem meu coração.

18/4/07

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Constrangimento

Muitas vezes me sinto constrangida.
Sinto-me envergonhada.
Porque sempre protegida
E sempre amparada.
Tua mão me acompanha.
A conduzir-me e a orientar-me.
A mostrar-me o quanto tu me amas
E eu, sinto que abuso de tanto amor.
De tanta compreensão.
E não consigo, e muitas vezes nem se quer tento,
Corresponder a esse amor desmedido.
Então em contrição visualizo a tua fidelidade
E sem palavras
E de tanta felicidade
Tento expressar aquilo que não há palavras.
E é só assim, sem conseguir dizer.
E que tu podes ver
Que apesar de negligente
Só Tu sabes o que sente
Esse falho coração
Que vendo a cruz sabe o quanto
Não é merecedor
Daquela dor do meu Senhor.

Autora; Silvia 12/5/2005 13h15