quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Falo

Falo, jogo minhas palavras ao vento
E deixo mostrar meus pensamentos.
Que palavras se encarreguem de sentimentos
de um mundo que não quer silenciar
E porque tenho a dizer
não quero me esconder
No laconismo obscuro.
Falo, me sinto seguro
Para tentar entender
Tudo que venha acontecer
Quero desvendar todo meu ser.
Tenho vontade de me expor,
Quero cantar, quero compor
todo este momento.
Falo, e me meto em confusão,
Há quem não entenda
Uma linha do meu discurso.
Falo, procurando a verdade.
Se o mundo fosse claro só precisaria ver,
Teria tudo a saber e assim ficaria mudo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dialética da Dúvida

Poderia eu dizer que minhas palavras são ouvidas por ti?
Poderia eu também dizer que não as escutas?
Não, não poderia.
Meu maior dilema é saber o que realmente posso.
Ou será melhor dizer que é saber o que não posso?
Sim, este é meu dilema.
Mas a dúvida é o advento da certeza.
É o alicerce da firmeza.
Mas só com dúvida não se faz a construção.
E se torna inútil qualquer embasamento.
A dúvida é algo abstrato,
Mas neste caso é o concreto,
Pois ela contém o que de mais sólido existe,
E ela dói o coração.
Se a dúvida existe, porque existe?
E aqui estou na mesma triste inquirição.
Sei que não estais aqui por acaso,
Pois és comum nos pensamentos.
Consegues inquietar os sentimentos
És a verdade e não resvalo.
Responde a tudo então.
Por trás de ti está a certeza
Que independe do que eu creia,
Deus existe esta é a razão.
E que a dúvida é o pontapé
Que Ele usa pra se aprofundar na humanidade.
Pois foi com dúvidas que tivemos certezas
E obtivemos respostas.
É assim que se aprende,
Que se responde qualquer questão.

domingo, 23 de setembro de 2007

Vômito

Que a tua cara resignada de tamanhas frustrações
E conquistas mal resolvidas,
E o teu reflexo amargo pela falta de sinestesia,
Juntamente com tua falta de cordialidade,
Com este ar de superioridade a disfarçar tua falta de nobreza,
Se retenha em ti mesmo.
Que teu mau humor que é exalado pelos poros
E exposto por esta cara sempre feia,
Só a ti mesmo prejudique.
Que teu olhar e os teus pensamentos sempre distantes,
Divagantes e abduzidos,
Não se ocupe em me perceber.
Que tua frieza que tudo em volta anestesia
E este excesso de amnésia relacional do dia-a-dia,
Somado a tua lucidez instantânea quando queres se dar bem,
Só em ti mesmo oscile.
Que a tua falta de paciência que grita ao mundo clemência,
Retine a ti que é injusta.
Queres por todos ser compreendido,
Mas não vês o tanto de ofendidos
Contaminados por tua arrogância.
Eu não sou o teu espelho,
Não compartilho e não devolvo as tuas ações,
Sei que isto te incomoda.
Não sorverei o teu veneno,
Não vou gangrenar o meu espírito.
Te vomitarei sempre que for necessário.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Leis de Newton

Que você saia desta inércia.
E que a força resultante do
Nosso amor, não seja má,
Mas entre em equilíbrio com
Velocidades de emoções constantes.
E que a força de reação do meu amor
Esteja no centro de massa
Do mundo do seu coração.
E que os problemas que venham a surgir,
Ainda que estejamos inclinados,
Não se manifestem em atritos.
E que um par de ação e reação
Configure o nosso abraço,
Pois não há nada melhor do que sentir
A sua compressão, me fazendo não sentir a gravidade
E me tornado assim mais leve.
Seu amor me traciona, como uma corda,
Em sua direção.
De você vem todas as leis
Que regem meu coração.

18/4/07

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Constrangimento

Muitas vezes me sinto constrangida.
Sinto-me envergonhada.
Porque sempre protegida
E sempre amparada.
Tua mão me acompanha.
A conduzir-me e a orientar-me.
A mostrar-me o quanto tu me amas
E eu, sinto que abuso de tanto amor.
De tanta compreensão.
E não consigo, e muitas vezes nem se quer tento,
Corresponder a esse amor desmedido.
Então em contrição visualizo a tua fidelidade
E sem palavras
E de tanta felicidade
Tento expressar aquilo que não há palavras.
E é só assim, sem conseguir dizer.
E que tu podes ver
Que apesar de negligente
Só Tu sabes o que sente
Esse falho coração
Que vendo a cruz sabe o quanto
Não é merecedor
Daquela dor do meu Senhor.

Autora; Silvia 12/5/2005 13h15